
No Brasil, muitos conservadores insistem em carregar bandeiras de Israel em passeatas bolsonaristas, como se o país fosse um modelo a ser seguido em pautas de costumes. Uma “Israel imaginária” seria, na cabeça dessas pessoas, religiosa, conservadora e de direita.
O aborto, em Israel, por exemplo, é uma realidade. O assunto nunca foi muito polêmico, na verdade. Qualquer mulher que se encaixe em casos específicos pode suspender a gravidez quando quiser (mesmo depois de 24ª semana) e de graça em clínicas e hospitais dos quatro planos de saúde do país (ou clínicas privadas, pagando).
A única coisa que ela tem que fazer é passar por um comitê (que costuma ser rápido) para obter a autorização. Os comitês são formados por três membros (dois médicos obstetras ou ginecologistas e um assistente social), sendo que um deles precisa ser uma mulher. No caso de uma gravidez após a 24ª semana, o comitê tem cinco membros. Em 95% dos processos a interrupção da gravidez é autorizada pelo Comitê.
Os casos são:
* Se a mulher tiver menos de 18 anos ou mais de 40 anos
* Se a mulher não for casada ou a gravidez não for do casamento
* Se a gravidez for o resultado de relações ilegais de acordo com a lei penal, ou incestuosas.
* Se a criança for suscetível de nascer com alguma deficiência física ou mental
* Se a continuação da gravidez for suscetível de pôr em perigo a vida da mãe ou causar-lhe danos físicos ou emocionais
Como dá para interpretar por essas “exceções”, quase todos os casos pelos quais uma mulher deseja suspender a gravidez são contemplados. Algo em torno de 98% das mulheres recebem, em geral, autorização dos comitês.
Uma publicação do Ministério da Saúde explica tudo isso a mulheres jovens. Nela está escrito: “Lembre-se: Este é o seu corpo! Ninguém pode decidir por você e forçá-la a dar à luz ou fazer um aborto. Ninguém além de você pode ter 100% de certeza sobre a decisão ‘perfeita’”.
Proibido na Venezuela
A Venezuela tem uma das legislações mais restritivas em matéria de aborto. A interrupção da gravidez somente é permitida quando oferece risco à sobrevivência da gestante.
Como consequência o aborto clandestino é a terceira causa de morte feminina no país, segundo organizações de direitos humanos e reprodutivos. Em 2019, houve uma média de 15 abortos diários, segundo levantamento da Associação Venezuela para Educação Sexual Alternativa (Avesa). Outro estudo de 2020 aponta que 9 a cada 10 venezuelanas entre 15 e 59 anos não planejaram sua gravidez.
